Entrevista simulada com Martinho Lutero

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Nascido em 10 de novembro de 1483, Martinho Lutero foi precursor da Reforma Protestante, onde protestou contra diversos pontos da doutrina da Igreja Católica Romana. Lutero morreu aos 63 anos de idade em sua cama, e foi sepultado na Igreja do Castelo de Wittenberg, a mesma onde havia afixado as suas 95 teses cerca de 30 anos antes.

Fui desafiada à um trabalho inédito: simular uma entrevista com um personagem morto. Vejamos então, alguns dos pontos mais marcantes da história de Lutero, nessa entrevista simulada:

Como começou a ideia de que a Igreja precisava de uma reforma?

Quando recebi  o grau de bacharelado em Estudos Bíblicos, fui permitido a ler alguns trechos da Bíblia com outros acadêmicos. Naquela época, a missa era celebrada em latim, portanto nem todas as pessoas poderiam estudar as escrituras. Foi quando comecei a ver meus pensamentos esclarecidos, mesmo após tantos anos de devoção à Igreja. Depois disso me tornei Doutor em Teologia e Doutor na Bíblia, o que me permitiu verificar ainda mais as doutrinas católicas que não estavam de acordo com as Escrituras.

É verdade que teve depressão?

Nunca fui realmente diagnosticado, mas a verdade é que eu sentia uma imensa angústia a partir de uma pergunta:  se o coração da pessoa é governado pelo pecado, como pode esperar salvação diante de Deus? Pra encontrar a resposta, fazia boas obras, jejuava e me autoflagelava. Contudo, meu sentimento de incapacidade para sentir paz diante de Deus continuou, levando-me às portas do desespero. Só obtive a resposta quando encontrei na Bíblia a certeza de que não há como alguém merecer o favor de Deus por causa de alguma coisa que faz; mas sim através de Jesus Cristo que os pecados são perdoados.

Acredita que tornar-se monge foi uma perca de tempo em sua vida?

Não diria perca de tempo, adquiri muito conhecimento nesse período. Era completamente devoto, então passava horas estudando as escrituras, jejuando e orando. Se alguém pudesse ganhar o céu sendo monge, eu certamente ganharia.

Além de monge pela Igreja Católica, você também tornou-se professor e Doutor em Teologia. Como foi para você abrir mão de tudo isso?

Fui monge, diácono, padre, professor e Doutor. Considero que abri mão apenas dos títulos, e ainda assim, alguns deles não me foram tirados. O conhecimento que adquiri em todo esse tempo dentro da Igreja Católica permitiu que eu vivesse todos os anos de minha vida como um religioso, mas não cristão. Tornei-me verdadeiramente cristão quando me vi livre.

Você sempre combateu muito as indulgências e penitências, por quê?

Nunca fui a favor de compra de lotes no céu, nem de pagamento à padres para que fosse alcançado o perdão. Para mim, o perdão só pode ser obtido quando o indivíduo estiver completamente arrependido, mudado de opinião e atitude, jamais com negociação.

Mesmo após ter pregado suas 95 teses de protesto, em 1517, em frente à Igreja de Wittenberg, você disse que não tinha a intenção de se separar da Igreja Católica. Como explica isso?

Mandei uma carta ao Papa, 6 meses depois, lhe dizendo que não queria ofendê-lo, pois o mesmo me afastou de meus cargos na Igreja Católica. Não menti, afinal não conhecia nenhum outro tipo de igreja até então, e não tinha interesse de me excluir do catolicismo. Minha intenção era propor melhorias na doutrina, a partir da maneira como passei a interpretar a Bíblia.

Podemos afirmar que seu casamento com Katharina von Bora (ex-freira) foi a liberação para o casamento de outros padres?

Me casei com Katharina em junho de 1525, unimos não só nossos corações mas também nossos ideais. Antes de nós, alguns outros padres já haviam se casado, mas o casamento clerical só foi aceito depois que casei, por ser muito conhecido.

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