A Páscoa como você nunca viu

O que os líderes religiosos estão fazendo enquanto você compra ovos de chocolate

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Por Jayane Condulo.

Apesar de ser uma comemoração tradicionalmente cristã, os locais mais frequentados em época de Páscoa não são as igrejas, e sim os estabelecimentos comerciais. Enquanto milhares de pessoas saem às ruas em busca de ovos de chocolate e orelhas de coelho, líderes religiosos preparam sermões pascoais, na preocupação de resgatar seus fiéis do consumismo.

Neste ano, para driblar a crise econômica, os ovos de Páscoa diminuíram de tamanho e os preços aumentaram. Essa notícia simplesmente enlouqueceu os consumidores, que aguardavam ansiosamente pela data mais chocólatra do ano.

Mas, a palavra Páscoa nada tem a ver com os chocolates. Significa “passagem”, do hebraico pesach, e foi instituída a partir da libertação do povo israelita, que era escravo no Egito. Cada família deveria matar um cordeiro, macho e sem qualquer defeito, e seu sangue seria passado nas batentes das portas. À meia noite, o Anjo do Senhor passaria e feriria todo primogênito na terra do Egito, mas onde estivesse sangue nos umbrais, ali não haveria o castigo (Êxodo 12). Após esse episódio, o povo foi liberto da escravidão e atravessou o mar vermelho, daí o nome “passagem”.

Além da definição no Antigo Testamento, a data ainda tem um segundo (e mais comum) significado cristão: a ressurreição de Cristo. Assim como o sangue do cordeiro deveria ser exposto nos umbrais das portas, Jesus também derramou o seu sangue para a salvação do mundo, logo após celebrar a Páscoa com seus discípulos (Lucas 22.15).

Segundo o pastor Nailton Moura, líder da igreja Assembleia de Deus, ministério do Belém no Jardim dos Ipês (zona leste de São Paulo), a maioria esmagadora dos cristãos não conhece o real significado pascoal. Para ele, “muitas famílias tem desprezado o ensino e o aprendizado da Bíblia Sagrada, facilitando a entrada de costumes seculares ao evangelho, como a festa das bruxas, por exemplo. Com a Páscoa, não é diferente”.

Nailton ainda acrescenta que os pais tem a responsabilidade de instruir seus filhos, não só sobre o verdadeiro sentido da Páscoa, como sobre o consumismo de forma geral. “As crianças devem conhecer a origem do ovo de chocolate, além de saber identificar a diferença gritante que existe no preço do ovo e o da barra de chocolate normal”, explica.

O “deus consumismo”

Tanto no episódio do povo israelita quanto na ceia de Jesus, a Páscoa antecedeu uma passagem que seria marcante: a mudança de vida dos israelitas (da escravidão para a liberdade) e a mudança da história da humanidade, antes e depois de Cristo.

Para Joaquim Cardoso de Oliveira, diácono na Igreja Católica Apostólica Romana em Curitiba, este significado pascoal traz fé e esperança em dias melhores, além de perseverança no amor de Deus. Mas, essa esperança tem sido traduzida em uma outra figura. O coelho, principal rival do cristianismo nessa época, conquista a atenção de crianças e adultos, que acreditam no animal como símbolo de fertilidade e, consequentemente, vida.

Joaquim explica que, mesmo que a intenção seja boa, o foco é desviado. “Muitas pessoas acham que dando um presente, chocolate ou qualquer outro produto, estão demonstrando seu afeto.  Ainda que o objetivo seja agradar, acabam caindo no consumismo, e isso acontece mesmo entre os lares cristãos. Antes de presentes, por que não convidar primeiro para a oração e celebração pascoal?”, diz. O diácono ainda ressalta que é preciso sempre alertar aos cristãos sobre os ‘deuses modernos’, ou seja, consumismo, egoísmo, hedonismo, etc.

Em geral, os cristãos conhecem a história da Páscoa, mas não com profundidade, como explica José Aletronio Menezes, pastor na Primeira Igreja Batista no Barro Branco (zona leste de São Paulo). “Há uma grande diferença entre conhecer de ouvir falar, e em conhecer por andar com Deus. Temos muitos cristãos apenas nominais, que não sabem realmente quem é o Senhor, e muitos nem crêem que Ele ressuscitou!”, esclarece.

Para ele, o coelho tem tomado mais atenção que o cordeiro, mesmo entre os evangélicos. “Temos colocado muitas coisas no lugar que é de Deus. Uma delas, por  mais engraçado que pareça, é o ‘coelho da páscoa’. Este não é o lugar dele, mas infelizmente tem chamado mais a atenção”.

O pastor acrescenta que a única tática para driblar o consumismo, é a verdade. “A verdade liberta e  abre mentes para não se deixar dominar, não só pelo consumismo, mas por tudo que escraviza. Especificamente nesta época, o que realmente importa é extremamente mais interessante e valioso do que qualquer propaganda que o consumismo venha oferecer”, finaliza.


PARTICIPE DA PROGRAMAÇÃO PASCOAL!

Assembleia de Deus, ministério do Belém, no Jardim dos Ipês

Apresentação da Cantata de Páscoa, com participação do coral e orquestra da igreja. Domingo, 16 de abril, às 18h, na Av. Caraipé das Águas, 106 – Jardim dos Ipês, São Paulo/SP.

Primeira Igreja Batista no Barro Branco

Encenação ao ar livre “Ele Virá”, com participação especial do Grupo Genesis. Sexta-feira, 14 de abril, a partir das 18h. Ponto de encontro: Rua Salvador Vígano, 235, Barro Branco, São Paulo/SP.

 

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