O “suposto” estupro coletivo

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30 homens. Uma menina de 16 anos. A internet, a Polícia, a grande mídia e o Facebook. Nas últimas 48 horas, estive observando como cada um desses itens se comportou e pude notar como somos hipócritas perante à sociedade.

Ouvi falar de um caso de estupro coletivo e, a fim de obter informações claras e verdadeiras, fiz uma busca nos principais veículos de comunicação. Qual não foi minha surpresa, quando me deparei com uma simples NOTA, muito bem escondida, na Folha de S. Paulo, falando sobre um suposto (?) estupro e que a Polícia estava averiguando. Obviamente achei pouco, visto que as informações no Facebook estavam muito mais completas e extensas.

Parti então para o G1 que, ao contrário do anterior, dedicou-se a fazer duas ou três matérias bem elaboradas sobre o caso. Elaboradas até demais, ao ponto de posicionar-se no texto, destacando que a jovem era usuária de drogas e mãe de uma criança de três anos. E eu te pergunto: e daí? Achar que usar drogas e engravidar na adolescência são coisas erradas não nos dá o direito de dizer que uma pessoa dessas merece um estupro nem de um homem só, quanto mais coletivo.

Nessa altura, voltei para o Facebook. No final das contas, a rede social me manteve muito mais atualizada do que a imprensa a qual tanto respeitamos. E ali fiquei esperando pelas postagens de solidariedade à pobre menina. Procurei no perfil de cristãos, de militantes contra a violência, pelo pessoal que chama pra ação social de inverno, todas as ‘pessoas de bem’ que conhecia. Sim, eu me decepcionei.

E aqui, quero te convidar a “supor” algumas coisas. Vamos supor que mídia fizesse seu papel, onde veículos e jornalistas são imparciais e dão atenção igual a um caso que acontece com a elite paulistana ou na favela do Rio. Vamos supor que nosso país não é culturalmente machista e não acha que a culpa é sempre da vítima. Vamos supor que nosso caráter é realmente íntegro, que vivemos o que falamos, que realmente militamos contra tudo o que é ruim e afunda nosso cotidiano. Vamos supor que nossa pregação de amar ao próximo é verdadeira. Vamos supor que somos os bons membros dos grupos no WhatsApp e não compartilhamos videos como esse.

E vamos continuar supondo tudo isso. Vamos continuar supondo o estupro. Continuar supondo que nenhum de nós está sujeito a tragédias como essa, nessa sociedade cheia de hipocrisia.

Jayane Condulo.

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