O não-amor de cristãos por homossexuais

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50 mortos numa boate gay em Orlando (EUA). Incentivo de boicote às lojas C&A por propaganda sobre identidade de gênero. Menina é apedrejada na saída de culto de candomblé no Rio. Uma transexual crucificada. Notícias reais e apenas uma pergunta: o que Jesus faria?

Imagino Deus sentado em seu trono, olhando nosso comportamento e perguntando-se onde foi que errou. Desde o princípio, Ele ensinava sobre o amor. Não nos planejou seres humanos perfeitos, mas amáveis. Mandou que escrevessem um livro inteiro a esse repeito – a Bíblia -, mas nós não lemos ou não prestamos atenção.

Acredita-se que o versículo da Bíblia mais conhecido entre os cristãos, fala justamente de amor. Está em João 3.16: “porque Deus amou o mundo de tal maneira, que enviou seu filho”, mas a grande tragédia está no desprezo que se dá ao versículo seguinte, que diz: “pois Deus mandou seu filho para salvar o mundo, e não para julgá-lo”.

Mediante os fatos, só há uma conclusão: ou somos hipócritas, ou analfabetos.

Infelizmente, fico com a primeira opção. Vivemos um cristianismo onde a religião é mais importante que a fé propriamente dita, onde a discriminação não é pecado. Onde ofender um homossexual, apedrejar um membro da Umbanda e até menosprezar pobres que não se encaixam na teoria da prosperidade, é permitido.

Acha exagero? Voltemos então às noticias: você sabia que alguns pastores mostraram-se felizes e satisfeitos pelo ataque que matou 50 pessoas na boate Pulse?  Eles dizem que “Deus enviou o atirador“, e celebram a morte de pecadores. Sinto em lhe informar, caro leitor, mas se você é cristão e não conseguiu se compadecer com esse episódio, seu coração não é muito diferente do coração daquele atirador. Faltava amor nele, como falta em nós.

Não vi em meu Facebook correntes de oração pelas famílias das vítimas, não vi posts de solidariedade, não vi um “graças a Deus” por quem sobreviveu. Não vi a bondade de coração e o amor ao próximo que a gente tanto diz que tem. Mas é claro que, quando Ana Paula Valadão publicou sua #SantaIndignação, meu feed lotou de compartilhamentos, assim como no ano anterior, com o pedido do Pr Silas Malafaia para boicotar a Boticário.

Nesse ponto, paro pra refletir sobre quem está realmente discursando sobre o amor, e quem vomita palavras de ódio. Me sinto constrangida ao ver homossexuais nos dando um “banho” quando o assunto é caridade, solidariedade e, principalmente, amor. O fato de não concordar com suas práticas não pode me fazer fechar os olhos para as lições que tenho aprendido com eles.

Volto a questionar: o que Jesus faria? A resposta é simples: amaria.

Quando a transexual Viviany Beleboni desfilou numa cruz na 19ª parada LGBT, era para os cristãos entenderem que aquilo era um pedido de socorro. “Representei a dor que sentimos”, foi o que ela disse. A Igreja se tornou sinônimo de homofobia, mas nós não conseguimos perceber nem com uma melancia no pescoço (ou alguém pendurado numa cruz, no caso). Se nós não sabemos amar, imagine se saberemos apresentar o Deus do Amor para alguém?

I João 4.8: Quem não ama, não conhece a Deus. Porque Deus é amor.

Felizmente, existe uma minoria, quase imperceptível, que luta com todas as forças contra esse não-amor. Cristãos que não têm medo de dizer que Deus não é homofóbico. Gente que vai até a Parada Gay para pedir perdão. Pessoas que abraçam, amam e sentem a dor do alheio.

Peço a Deus que não nos trate como nós os tratamos, que nos dê outra chance apesar de não fazermos o mesmo. Peço que tenha misericórdia de cada um que sofre, verbal e fisicamente, com nosso preconceito de cada dia. E, finalmente, espero que o Pai não nos deixe de amar, uma vez que nós já nem sabemos como é.

Jayane Condulo.

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