Um menino, um game e uma sociedade

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Gustavo Detter, 13 anos, encontrado morto, com uma corda no pescoço — em frente ao computador. 1 minuto de silêncio para tamanha tragédia contida em uma frase só.

Eu, que nenhum parentesco tenho com a vítima, estou de luto. Acredito que todos deveríamos estar de luto. Não só pelo menino, que ainda tinha tanto para viver. Não só pela família, que recebeu a surpresa mais desagradável do mundo. Por tudo isso também. Mas o luto maior é pela sociedade.

Esse texto não abordará a questão culpa — foi do game ou da imaturidade dos garotos? Esse texto é diretamente para você, caro leitor, que não tem tempo para discutir questões contemporâneas.

É demasiadamente fácil dizer que “esses jogos fazem mal” ou que “esses meninos só têm brincadeira besta”, enquanto estamos ocupados demais com nossos trabalhos e melhorias do nosso próprio futuro, ignorando completamente o quanto a sociedade caminha para o mal.

O garoto foi encontrado morto, com uma corda no pescoço e, repito, em frente ao computador. Isolado da convivência familiar, absolto em uma atitude que lhe fazia sentir maduro, grande.

Morreu, enforcado. Como nós mesmos estamos nos enforcando, matando-nos, destruindo nossas vidas sem ao menos perceber. Viramos reféns de nossos próprios progressos, presos em nossos próprios egos, envolvidos demais com a alta tecnologia a ponto de não mais enxergar o outro.

1 minuto de silêncio para nós.

— Jayane Condulo.

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