Kaique Dalapola

POBRE: SUBVIVENDO À MARGEM

Neoliberalismo“De Santo Amaro a Pirituba o pobre sofre, mas vive”. Esta é uma realidade que está na música composta pelo grande artista, poeta e favelado Sabotage, e no dia a dia de milhares de pessoas. Com todas as lutas, dificuldades e quedas – muito mais do que conquistas – o pobre quase sempre conseguiu viver. Sobreviver. Ou melhor, “subviver”. Sem representação política, sem voz, sem segurança, sem moradia, sem transporte. Jogado às margens, sem cultura, saúde e educação.

O pobre sorri “subvivendo”. Vive sempre lutando. Alimentado pela falácia que o trabalho é a dignidade humana. E hoje, que continua sem o que nunca teve, ainda lhe foi retirado sua dignidade. Foi tirado o trabalho do pobre. Crise financeira, crise
política, crise disso ou daquilo chegou, sim, nas casas das periferias. Na casa do pobre. Aumenta o valor do alimento, da luz, da água e ainda a raciona. Tira moradias, corta da educação e faz demissões massivas. Faça o que for necessário, mas tira o pouco do pobre para crise não chegar à elite.

O pobre sem casa, sem escola, sem lazer é presa fácil. Solução: criminalizar. Prende os menores marginais, mal-educados. Além disso, é pobre, preto, favelado, socialmente abandonado. Joga o moleque no depósito humano, para os programas de “showrnalismo” (palavra que o jornalista José Arbex Júnior usou para titular um de seus livros) no início da noite falar bem do Estado, ficar bem com a elite e receber apoio para eleição de 2016.

E agora, quem poderá nos defender? Haddad, com os revolucionários projetos para a população do centro; Marta, buscando apoio das periferias, abraçada com o partido do presidente da Câmara Eduardo Cunha; Datena, no partido do Maluf para colocar “Rota na rua” para prender pobre; ou a grande novidade: Marco Feliciano? A luta é grande. Com esta novidade, surgi uma dúvida. O que é melhor: uma cidade que prende e/ou mata pobre ou que prende e/ou mata homossexual?

Prefiro voltar ao meu rap. Que, por sinal, agora está tocando “Qual mentira vou acreditar”, dos Racionais MCs.

— Kaique Dalapola.


11150340_673885082717924_5583557033720161678_nKaique Dalapola, 21 anos e estudante de Jornalismo na FAPSP (Faculdade de Comunicação).

Completamente envolvido com o jornalismo comunitário, mantêm seu blog há um ano, dando voz à população que vive à margem da sociedade. O “Fala Kaique” faz a cobertura das notícias periféricas, em especial, do Grajaú, e contém trabalhos exclusivos como uma entrevista com o prefeito de Embu Guaçu.

Para conhecer melhor esse trabalho, clique aqui.

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